segunda-feira, 25 de julho de 2011

Identidade - Mia Couto

Identidade


Preciso ser um outro para ser eu mesmo

Sou grão de rocha

Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando o sexo das árvores

Existo onde me desconheço aguardando pelo meu passado ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro no mundo por que luto nasço



"Raiz de Orvalho e Outros Poemas" MIA COUTO.


Encontros Literários - Mia Couto no colégio Marupiara no dia 04 de Agosto de 2011 às 10h

Mia Couto, nascido António Emílio Leite Couto (Beira, 5 de Julho de 1955), é um biólogo e escritor moçambicano.
Filho de portugueses que emigraram a Moçambique em meados do século XX, Mia nasceu e foi escolarizado na Beira. Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo). Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações em Setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir trabalhou como diretor da revista Tempo até 1981 e continuou a carreira no jornal Notícias até 1985. Em 1983, publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho, que inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois, demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia. Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana.

Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué. Em 2007, foi entrevistado pela revista Isto É. Foi fundador de uma empresa de estudos ambientais da qual é colaborador.
Bibliografia:

Muitos dos livros de Mia Couto são publicados em mais de 22 países e traduzidos em alemão, francês, espanhol, catalão, inglês e italiano.
Poesia:

Estreou-se no prelo com um livro de poesia, Raiz de Orvalho, publicado em 1983. Mas já antes tinha sido antologiado por outro dos grandes poetas moçambicanos, Orlando Mendes (outro biólogo), em 1980, numa edição do Instituto Nacional do Livro e do Disco, resultante duma palestra na Organização Nacional dos Jornalistas (actual Sindicato), intitulada "Sobre Literatura Moçambicana". Em 1999, a Editorial Caminho (que publica as obras de Couto em Portugal) relançou Raiz de Orvalho e outros poemas que teve sua 3ª edição em 2001. Contos: Nos meados dos anos 80, Couto estreou-se nos contos e numa nova maneira de falar - ou "falinventar" - português, que continua a ser o seu "ex-libris". Nesta categoria de contos publicou: Vozes Anoitecidas (1ª ed. da Associação dos Escritores Moçambicanos, em 1986; 1ª ed. Caminho, em 1987; 8ª ed. em 2006; Grande Prémio da Ficção Narrativa em 1990, ex aequo) Cada Homem é uma Raça (1ª ed. da Caminho em 1990; 9ª ed., 2005) Estórias Abensonhadas (1ª ed. da Caminho, em 1994; 7ª ed. em 2003) Contos do Nascer da Terra (1ª ed. da Caminho, em 1997; 5ª ed. em 2002) Na Berma de Nenhuma Estrada (1ª ed. da Caminho em 1999; 3ª ed. em 2003) O Fio das Missangas (1ª ed. da Caminho em 2003; 4ª ed. em 2004)
Crônicas:

Para além disso, publicou em livros algumas das suas crónicas, que continuam a ser coluna num dos semanários publicados em Maputo, capital de Moçambique: Cronicando (1ª ed. em 1988; 1ª ed. da Caminho em 1991; 7ª ed. em 2003; Prémio Nacional de Jornalismo Areosa Pena, em 1989) O País do Queixa Andar (2003) Pensatempos. Textos de Opinião (1ª e 2ª ed. da Caminho em 2005) E se Obama fosse Africano? e Outras Interinvenções (1ª ed. da Caminho em 2009)
Romances:

E, naturalmente, não deixou de lado o género romance, tendo publicado: Terra Sonâmbula (1ª ed. da Caminho em 1992; 8ª ed. em 2004; Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995; considerado por um juri na Feira Internacional do Zimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX) - A Varanda do Frangipani (1ª ed. da Caminho em 1996; 7ª ed. em 2003) - Mar Me Quer (1ª ed. Parque EXPO/NJIRA em 1998, como contribuição para o pavilhão de Moçambique na Exposição Mundial EXPO '98 em Lisboa; 1ª ed. da Caminho em 2000; 8ª ed. em 2004) - Vinte e Zinco (1ª ed. da Caminho em 1999; 2ª ed. em 2004) - O Último Voo do Flamingo (1ª ed. da Caminho em 2000; 4ª ed. em 2004; Prémio Mário António de Ficção em 2001) - O Gato e o Escuro, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Caminho em 2001; 2ª ed. em 2003), com ilustrações de Marilda Castanha (1ª ed. brasileira, da Cia. das Letrinhas, em 2008) - Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra (1ª ed. da Caminho em 2002; 3ª ed. em 2004; rodado em filme pelo português José Carlos Oliveira) - A Chuva Pasmada, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Njira em 2004) - O Outro Pé da Sereia (1ª ed. da Caminho em 2006) - O beijo da palavrinha, com ilustrações de Malangatana (1ª ed. da Língua Geral em 2006) - Venenos de Deus, Remédios do Diabo (2008) Jesusalém [no Brasil, o livro tem como título Antes de nascer o mundo] (2009) Prémios: 1995 - Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos 1999 - Prémio Vergílio Ferreira, pelo conjunto da sua obra 2001 - Prémio Mário António, pelo livro O último voo do flamingo 2007 - Prémio União Latina de Literaturas Românicas 2007 - Prêmio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura, na Jornada Nacional de Literatura
Academia Brasileira de Letras:

É sócio correspondente, eleito em 1998, da Academia Brasileira de Letras, sendo sexto ocupante da cadeira 5, que tem por patrono Dom Francisco de Sousa. Trabalho como biólogo:

Como biólogo, dirige a Avaliações de Impacto Ambiental, IMPACTO Lda., empresa que faz estudos de impacto ambiental, em Moçambique. Mia Couto tem realizado pesquisas em diversas áreas, concentrando-se na gestão de zonas costeiras. Além disso, é professor da cadeira de ecologia em diversos cursos da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

Referências:

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=2922&op=all
Chabal, Patrick. ‘’Vozes Moçambicanas’’. Vega: Lisboa, 1994. (274-291) Furtado, Jonas. "Entrevista a Mia Couto", Revista Isto É, Editora Três, 2007-09-26. Página visitada em 2009-12-01.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nelson Pereira do Santos - Diretor de cinema brasileiro



Nelson Pereira dos Santos (São Paulo, 22 de outubro de 1928) é um diretor de cinema brasileiro. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, turma de 1952.
Considerado um dos mais importantes cineastas do país, seu filme Vidas Secas, baseado na obra de Graciliano Ramos, é um dos filmes brasileiros mais premiados em todos os tempos, sendo reconhecido como obra-prima.
Foi um dos precursores do movimento do Cinema Novo.
É o fundador do curso de graduação em Cinema da Universidade Federal Fluminense, sendo professor do Instituto de Artes e Comunicação Social da UFF.

Filmografia1949 - Juventude (curta-metragem)
1955 - Rio, 40 Graus
1957 - Rio, Zona Norte
1961 - Mandacaru Vermelho
1962 - Boca de Ouro
1963 - Vidas Secas
1967 - El Justicero
1968 - Fome de Amor
1970 - Azyllo Muito Louco
1971 - Como Era Gostoso o Meu Francês
1972 - Quem é Beta?
1974 - O amuleto de Ogum
1977 - Tenda dos Milagres
1980 - Na Estrada da Vida com Milionário & José Rico
1982 - Missa do Galo (curta-metragem)
1984 - Memórias do Cárcere
1987 - Jubiabá
1994 - A Terceira Margem do Rio
1995 - Cinema de Lágrimas
1998 - Guerra e Liberdade - Castro Alves em São Paulo
2000 - Casa Grande & Senzala (série documental para TV)
2001 - Meu Cumpadre Zé Keti (curta-metragem)
2004 - Raízes do Brasil (documentário)
2006 - Brasília 18%
2009 - Português, a Língua do Brasil (documentário)

Academia Brasileira de Letras

Em 2006, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 7, cujo patrono é Castro Alves. É o primeiro cineasta brasileiro a se tornar imortal.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nelson_Pereira_dos_Santos

segunda-feira, 13 de junho de 2011

123º Aniversário de Fernando Pessoa







Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.

É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo".[1]

Por ter crescido na África do Sul, para onde foi aos seis anos em virtude do casamento de sua mãe, Pessoa aprendeu a língua inglesa. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa dedicou-se também a traduções desse idioma.

Ao longo da vida trabalhou em várias firmas como correspondente comercial. Foi também empresário, editor, crítico literário, ativista político, tradutor, jornalista, inventor, publicitário e publicista, ao mesmo tempo que produzia a sua obra literária. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos, objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Centro irradiador da heteronímia, auto-denominou-se um "drama em gente".

Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática aos 47 anos, na cidade onde nasceu. Sua última frase foi escrita em Inglês: "I know not what tomorrow will bring… " ("Não sei o que o amanhã trará").

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Baio ou Pampeano? - Sério Capparelli



Baio ou Pampeano?
Quincas conseguiu dinheiro para comprar um cavalo. Um fazendeiro vizinho lhe mostrou dois. Um baio e um pampeano. Quincas ficou muito contente, porque os dois eram muito bons. Mas preocupou-se. Se comprasse o baio, ficaria sem o pampeano, se comprasse o pampeano, ficaria sem o baio. Decisão difícil. Cada um dos cavalos tinha qualidade únicas.

Quincas foi se aconselhar Seu Zeca.
-Eu não escolho o baio para não perder o pampeano e não escolho o pampeano para não perder o baio.
-Mas pode comprar os dois? - quis saber Seu Zeca.
-Só tenho dinheiro para um deles - respondeu
Seu Zeca acendeu o palheiro, soltou uma baforada e disse:
-Se você examinar bem a situação, vai perceber que a saída é muito fácil. E em vez de perder, você ganha.
Quincas arregalou os olhos:
-Como, Seu Zeca?
-Você não se decide porque tem medo de perder um deles. E enquanto não toma a decisão, fica sem nenhum. No momento em que escolher, passa a ter um. Por isso, com a decisão, ganha em vez de perder.
Ilust. Horse Tack World

2008-01-25 21:35:21
Fonte: http://www.capparelli.com.br/raposa.php