domingo, 27 de dezembro de 2009

MENSAGENS DE DALAI LAMA

Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior. Estas atitudes se refletirão em mudanças positivas no seu ambiente familiar. Deste ponto em diante, as mudanças se expandirão em proporções cada vez maiores. Tudo o que fazemos produz efeito, causa algum impacto.
A felicidade é um estado de espírito. Se a sua mente ainda estiver num estado de confusão e agitação, os bens materiais não lhe vão proporcionar felicidade. Felicidade significa paz de espírito.
Se existe amor, há também esperança de existirem verdadeiras famílias, verdadeira fraternidade, verdadeira igualdade e verdadeira paz. Se não há mais amor dentro de você, se você continua a ver os outros como inimigos, não importa o conhecimento ou o nível de instrução que você tenha, não importa o progresso material que alcance, só haverá sofrimento e confusão no cômputo final.
O homem vai continuar enganando e subjugando outros homens, mas insultar ou maltratar os outros é algo sem propósito.

O fundamento de toda prática espiritual é o amor. Que você o pratique bem é meu único pedido.

DALAI LAMA

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Lembrar


Lembrar

Me vesti com as cores
de uma casa para encontrar
abrigo em mim mesmo.
Agora tenho um gato e um acordeom
tocando ao fundo as emoções.
Ah! Remédios,
Se acaso você possa
me leve sempre com você,
me carregue pela mão,
me deixe no pensamento
o seu jeito de lembrar.

(André Neves)

Feliz Sem Novo Noel!

Feliz Sem Novo Noel!

Por José Martins Cajaíba

Conta a lenda que há muitos e muitos anos, lá num distante e incerto lugar, existiu um povo muito pacífico, amoroso e feliz. Não tinham e muito menos sabiam o que era calendário gregoriano, horário, relógio e outras coisinhas ditas como modernas. O que valia era o funcionamento orgânico do corpo. Dormiam com as galinhas e acordavam com os galos.
Para esse povo - "Rongos" - os dias eram simplesmente iguais. Não havia sábados, domingos, feriados, dias úteis e inúteis. Tinham apenas manhã, tarde, noite e madrugada. Os compromissos e encontros eram organizados e respeitados pelo ciclo do nascer e pôr do sol. Era tudo na base do viver e amar. Palavras e expressões como Feliz Natal; Próspero Ano Novo; Papai Noel; Comprar Presentes; Visitar Parentes; Confraternização; Ceia Natalina; Bom Velhinho etc. não tinham o menor significado para os Rongos. Eram como o vento ou um vazio mental. Eles simplesmente não sabiam que negócio era esse.
Tudo ia muito bem, até que um dia receberam a visita de um elegante grupo de meia dúzia de rapazes e moças. Todos muito bem trajados, de acordo com as últimas tendências da moda, com fotos da Madonna, notebooks e celulares de última geração. Tudo muito fashion e fútil. O grupo visitante trazia a tradicional, desgastada e óbvia mensagem de paz, amor e felicidade, como se os Rongos não vivessem assim e precisassem disso. O curioso era que o comportamento do grupo não refletia a tal mensagem. Pois é! No lugar da paz, uma certa agressividade; no do amor, desrespeito e no da felicidade, tristeza. O grupo oferecia ao ordeiro povo as suas ditas novidades e trivialidades de final de ano o que, independentemente da intenção, provocou um conflito cultural e de valores. E aí tudo começou.
"Mas como assim? Vocês não vão às lojas comprar presentes? Não vão desejar feliz natal às pessoas? Nem, unzinho só, feliz ano novo?" Perguntou - entre susto e surpresa - um dos rapazes (o mais falante) do grupo visitante. Uma das moças, agressivamente arrematou: "Então vocês vão passar as festas sozinhos, abandonados e longe dos parentes?" E ainda tentou ser cruel ao concluir: "Vocês estão desrespeitando uma tradição universal!"
Pacientemente os Rongos ouviam e suavemente sorriam. "Não, não estamos sozinhos e muito menos abandonados. É que escolhemos viver assim. Esse é o nosso estilo de vida!" respondia um amável senhor, quando... de repente uma outra moça visitante intrometeu-se e: "Tá bom, mas pelos menos vocês vão fazer uma ceia de confraternização e de demonstração de amor ao próximo. Ah, isso vocês vão, não é?"
E os Rongos concluíram: "Compreendemos e respeitamos a intenção de vocês. É que vivemos felizes e amamos as pessoas independentemente de dias, datas e horários. Não estamos aprisionados a tradições, modismos e ideias de consumo. Não somos reféns das coisas estabelecidas. Não precisamos que digam quando devemos ficar alegres. Somos assim, livres e responsáveis pelas nossas escolhas. Leves e soltos!"
Fez-se um enigmático silêncio. "Bem, está na hora de partirmos" disse um dos rapazes. Todos se cumprimentaram e o grupo foi embora, não sem antes desejar aquelas coisas e repetindo as batidas palavras, que para os Rongos não tinham qualquer significado.
Enquanto o grupo se afastava e reprisava as palavras, os Rongos, incrédulos e ingenuamente, retribuíam em alto e bom som com algumas das palavras que tinham ouvido: "Feliz Sem Novo Noel!"
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José Martins Cajaíba - Acredita na paz, no amor e na liberdade. Também acredita na felicidade, mesmo SEM! -
jcajaiba@qualymar.com.br

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Um jardim no coração


Um jardim no coração

Neste Natal plante um jardim no seu coração.

Não se preocupe em fertilizar pois a terra do coraçãoé boa e naturalmente dadivosa.
O mais importante é escolher as sementes certas.
No jardim de seu coração não pode faltar a semente da FÉ.
As flores da fé deixarão seu coração resistente e fortalecido o bastantepara que você possa suportar todas as intempéries da vida.

Plante a semente do AMOR UNIVERSAL.
Esta planta precisa de cuidados especiais, porém suas floressão tão sublimes que exalarão as doces fragrâncias do perdão,da gratidão, da união com todos os seres e davontade de servir desinteressadamente.

Plante as sementes da ALEGRIA e do ENTUSIASMO.
Estas plantas darão flores vivazes e comunicativas quecantarão para as outras flores, se vestirão das mais variadascores e serão beijadas pelos colibrís.

Plante a semente da HUMILDADE.Além de belíssima, esta planta tem o raro condão de impedir ocrescimento das ervas daninhas do orgulho, do egoísmo e do ressentimento.As flores da humildade exalarão o aroma da simplicidade, da leveza e da paz.

Plante as sementes da PERSEVERANÇA nos quatro cantos do seu jardim.
Estas plantas crescerãolentamente, ficarão viçosas e encorpadas com o tempo.
Demorarão para dar suas flores esplêndidas para que você entendaque, às vezes, é preciso esperar para conseguir algo realmente valioso e definitivo.
E não se surpreenda se um dia notar que, bem no centro de seu jardim,nascer uma planta raríssima que você não plantou.
Ela veio por lei de afinidade ao ver a beleza dasoutras plantas e das outras flores.
Chamar-se-á planta da SABEDORIA.
Suas flores nobres e fulgurantes exalarão o perfume dodiscernimento e permitirão que você possa contemplartoda a Criação pelos próprios olhos de Deus.


(Fátima Irene) http://www.laurapoesias.info/natal/natal_de_2009/um-jardim
-no-coracao.htm

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

AS RAZÕES DO AMOR

AS RAZÕES DO AMOR- RUBEM ALVES"

Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa : "A rosa não tem"porquês". Ela floresce porque floresce." Drummond repetiu a mesma coisa no seu poema As Sem-Razões do Amor. É possível que ele tenha se inspirado nestes versos mesmo sem nunca os ter lido, pois as coisas do amor circulam com o vento. "Eu te amo porque te amo..." - sem razões... "Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo." Meu amor independe do que me fazes. Não cresce do que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos. Teria razões e explicações. Se um dia teus gestos de amante me faltassem, ele morreria como a flor arrancada da terra. "Amor é estado de graça e com amor não se paga." Nada mais falso do que o ditado popular que afirma que "amor com amor se paga". O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves. Como a rosa que floresce porque floresce, eu te amo porque te amo. "Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários... Amor não se troca... Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo..." Drummond tinha de estar apaixonado ao escrever estes versos. Só os apaixonados acreditam que o amor seja assim, tão sem razões. Mas eu, talvez por não estar apaixonado (o que é uma pena...), suspeito que o coração tenha regulamentos e dicionários, e Pascal me apoiaria, pois foi ele quem disse que "o coração tem razões que a própria razão desconhece". Não é que faltem razões ao coração, mas que suas razões estão escritas numa língua que desconhecemos. Destas razões escritas em língua estranha o próprio Drummond tinha conhecimento, e se perguntava: "Como decifrar pictogramas de há 10 mil anos se nem sei decifrar minha escrita interior? A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco." O amor será isto: um soco que o desconhecido me dá? Ao apaixonado a decifração desta língua está proibida, pois se ele a entender, o amor se irá. Como na história de Barba Azul: se a porta proibida for aberta, a felicidade estará perdida. Foi assim que o paraíso se perdeu: quando o amor - frágil bolha de sabão - não contente com sua felicidade inconsciente, se deixou morder pelo desejo de saber. O amor não sabia que sua felicidade só pode existir na ignorância das suas razões. Kierkegaard comentava o absurdo de se pedir aos amantes explicações para o seu amor. A esta pergunta eles só possuem uma resposta: o silêncio. Mas que se lhes peça simplesmente falar sobre o seu amor - sem explicar. E eles falarão por dias, sem parar... Mas - eu já disse - não estou apaixonado. Olho para o amor com olhos de suspeita, curiosos. Quero decifrar sua língua desconhecida. Procuro, ao contrário do Drummond, as cem razões do amor... Vou a Santo Agostinho, em busca de sua sabedoria. Releio as Confissões, texto de um velho que meditava sobre o amor sem estar apaixonado. Possivelmente aí se encontre a análise mais penetrante das razões do amor jamais escrita. E me defronto com a pergunta que nenhum apaixonado poderia jamais fazer: "Que é que eu amo quando amo o meu Deus?" Imaginem que um apaixonado fizesse essa pergunta à sua amada: "Que é que eu amo quando te amo?" Seria, talvez, o fim de uma estória de amor. Pois esta pergunta revela um segredo que nenhum amante pode suportar: que ao amar a amada o amante está amando uma outra coisa que não é ela. Nas palavras de Hermann Hesse, "o que amamos é sempre um símbolo". Daí, conclui ele, a impossibilidade de fixar o seu amor em qualquer coisa sobre a terra..."

Encontrei minhas origens

ENCONTREI MINHAS ORIGENS

Encontrei minhas origens em velhos arquivos
livros...
encontrei em malditos objetos troncos e grilhetas
encontrei minhas origens no leste no mar em imundos tumbeiros
encontrei em doces palavras...
cantos em furiosos tambores...
ritos encontrei minhas origensna cor de minha pele nos lanhos de minha alma em mimem minha gente escura
em meus heróis altivos
encontrei encontrei-as enfim
me encontrei
(OLIVEIRA SILVEIRA)

sábado, 17 de outubro de 2009

O Brincar do Sertão

O brincar do Sertão

Primeiro descobri que gosto muito de brinquedo que me deixa quieta. Depois fui procurar quem ficava quieto brincando. Aí eu descobri um monte de meninos que têm esse jeito de brincar. E o que acabou acontecendo, sem querer na minha vida, foi que viajei lá longe, pelo sertão de Minas Gerais, para conhecer mais desses meninos e seus brinquedos. Fui muito curiosa, e entre os anos de 2003 e 2008, visitei várias vezes Morro da Garça, Cordisburgo e Andrequicé. Pequeninos lugares sertanejos onde me encantei com o brincar de muitos meninos cheios de alegria e imaginação. E a cada viagem eu aprendia mais, e queria saber mais e mais sobre esse tipo de brincar. E no meio disso tudo, esqueci de contar, quem também estava aprendendo brinquedos eram eles, porque tudo o que eu aprendia com um queria ensinar para o outro. Virou uma confusão de quem sabia ou não sabia brincar que, para arrumar essa história, resolvi escrever este livro: para os meninos queitos do sertão e para os meninos quietos da cidade. Vocês vão perceber que esses brinquedos são feitos de sentimentos e de coisas que são quase nada para muita gente, mas que se transformam em quase tudo dentro da nossa cabeça. E sabe quem teve essa ideia de falar sobre esses brinquedos? Foi um escritor brasileiro que viveu sua infância no sertão, na cidade de Cordisburgo. O nome dele é joão Guimarães Rosa. Eu descobri, quando já estava no meio da meninada, brincando de tudo e nada ao mesmo tempo, que o João não conseguiu escrever esse livro. Ele morreu antes de realizar seu sonho. Por isso, achei que, se ninguém escreveu até hoje um pequeno tratado de brinquedos para meninos quietos, eu deveria me aventurar a escrever.Vamos lá brincar?

Livro: Um Pequeno Tratado de Brinquedos para Meninos.
Obra de Selma Maria.
Editora Peirópolis.