sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Foster The People - Pumped Up Kicks

Daniel Lima - Poeta Pernambucano


DANIEL LIMA - Poeta: Amigos, não pensem que exagero, ou que pelo menos exagero no meu provincianismo de ser do Recife. Mas existe qualquer coisa em Pernambuco que faz do seu território um chão fértil para bons e ótimos poetas. O quê, não sei, ninguém ainda explicou. Nem quero aqui chover no molhado e lembrar João Cabral, Manuel Bandeira, Joaquim Cardozo, Ascenso Ferreira, Mauro Mota, Carlos Pena, todos amados pelo mundo culto do Brasil. Não. Me refiro a outros grandes que o mundo inteiro desconhece, que até nisso Pernambuco é um exagero: ótimos poetas não são ignorados somente no estado, são de Pernambuco calando para o mundo.


Quem me desacompanha até hoje tem visto o que escrevi sobre um poeta fundamental da língua, Alberto da Cunha Melo, que os leitores de muitos estados e jornalistas finos nas redações do sudeste perguntam: “quem? quem?”. Aqui e ali, na medida de minha força e tempo, lembro Geraldino Brasil, quem?, Miró, Valmir Jordão, quem?, Valter Fernandes, quem? Isso para não lembrar a dívida que tenho com os poetas Everardo Norões, Marcus Accioly... Pois hoje lembro ligeiro – e com um sentimento de desconforto por antes dele não ter falado – o poeta e homem de espírito e graça de nome Daniel Lima.


No Recife, os afortunados conhecem-no por Padre Daniel, professor da UFPE, antiacadêmico por natureza. E dele falam aventuras dignas de Cervantes e de Camões, o Camões popular, cantado em rimas de cordel. Vou resumir duas ou três, no limite estreito deste espaço. Uma vez, padre Daniel recebeu o original de um romance de professor da universidade para ler. (Como é homem de rara sensibilidade, sempre o procuram) O diabo é que o livro era ruim demais e além da conta. O que fazer, como falar a verdade ao colega sem ferir a gentileza? Eis o que o fino sacerdote lhe disse:- Ilustre amigo, o teu romance é inferior a teu talento. E ganhou, ainda assim, um secreto inimigo. Em outra, na época da ditadura, um militante socialista o visitava na residência, e foram conversando em voz baixa até o quintal. De repente, padre Daniel observa ao visitante:- Está vendo o vizinho aí no muro? Ele sempre está me espionando. Ato contínuo, disparou na carreira contra uma bananeira no terreno, e lá nela deu-lhe uma peitada com os braços abertos. Caiu sentado. Surpreso, o jovem correu para ele. E Daniel, baixinho:- Não foi nada. O vizinho desconfia que sou doido. Agora tem a certeza. Numa terceira – eu seria capaz de passar o dia inteiro contando magníficas desse poeta -, numa terceira da ordem terrena, padre Daniel encontra por acaso no centro do Recife o arquiinimgo, advogado Gil Teobaldo. Que infelicidade. Daniel, homem de fala baixa e ar manso (nada mais falso nesse homem de sarcasmo feroz que a mansidão de ovelha), ouve com olhos de Cristo no altar a mais alta descompostura do advogado possesso, que procurava um pretexto para a agressão física. O advogado chamava-o, entre outras coisas, de cabra safado (insulto supremo em Pernambuco na época), imoral, indecente, escroto, fariseu, filho sem pai. Mas no momento da resposta, o padre Daniel lhe gritou com os olhos injetados de raiva: - E você não passa de um Gil Teobaldo!!!!A plateia na avenida delirou, pois não haveria insulto maior que carregar a má fama de ser aquele nome. Pois é este homem, de quem sempre se esperou generosidade, que sempre possuiu um senso arguto de separar o ouro do ouropel, a roupa da pessoa, o amor ao próximo fora da instituição, a quem uma vez fui vender uma assinatura do jornal Movimento, e ao me receber sedento de álcool e angústia num sábado, assinou o jornal e me fez sair bêbado do uísque guardado “para visitas especiais”, bebida que tomamos como dois bons cristãos desgarrados, pois é este homem que há muito escrevia poemas e guardava, por timidez ou medo, quem sabe, de não escrever ótima poesia, pois é este homem que agora recebe o prêmio máximo da Biblioteca Nacional, para o seu primeiro livro. Aos 95 anos. Como demora o reconhecimento para essa gente de Pernambuco. Se lesse esta frase, padre Daniel diria: - Como demora o reconhecimento. E às vezes nem sai. Ó Daniel, o que é que pode dizer um ingrato que há séculos não vai na tua casa? Na última, no último decênio do século XX, estranhei a cor da tua pele, quando te disse:- Padre, não sei se é a minha memória. Mas eu o lembrava mais escuro.Ao que ouvi:- É não, amigo. A gente quando envelhece vai ficando mais branco. Então entrei e ouvi a crítica amiga a um rascunho de romance que eu havia deixado. Lá para as tantas, com a verdade do álcool perguntei: - Padre, como foi a sua luta para se manter na castidade?- Foi difícil. Mas depois dos 80 está fácil. Pois é este homem, que no vigor dos seus 95 anos, com o sexo sob controle (já sei, Daniel, que dirias “sob controle, mas nem tanto”), pois é este padre rebelde que surpreende todo o Brasil com a poesia magnífica, fecunda, cheia da graça e da verdade do seu pensamento.


"Ao nasceres, tinhas o prefigurado rosto


Que hoje terias se houvesses sido tu mesmo


No tempo singular de tua vida.


Mas viveste o relógio, não teu tempoe agora vê teu rosto:o que dele te resta é a desfiguradasombra do primeiro rostoque não soubeste ter,nem mereceste" Ou nesta expressão de beleza: “Nada será jogado no vazio.


Nem mesmo o vazio da vida, porque é vida.


Nem mesmo o gesto inútil, pois-que é gesto.


Nem mesmo o que não chegou a realizar-se, pois-que é possível.


Nem mesmo ainda o que jamais se realizará, porque é promessa.


E o próprio impossível é vontade absurda de existir. E nisso existe”


Ou aqui, ao fim, por enquanto: “Minha mãe era anoitecida. Às vezes orvalho, às vezes estrela. De repente, ria. De repente, chorava. Falava sozinha enquanto trabalhava. Resmungos, ou não sei se filosofia. Descascava batatas, partia cebolas e sonhava ‘Para não perder tempo’,dizia. Com que seria que minha mãe sonhava?”Ó Daniel, os teus amigos agora são muitos e todo o Brasil te quer. Até os ingratos te saúdam. A poesia e todos nós estamos em festa.


Fonte: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=171114&id_secao=11

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011





Ferit Orhan Pamuk, conhecido apenas como Orhan Pamuk (Istambul, 7 de Junho, 1952), é um romancista turco.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 2006. É professor de literatura da Universidade Columbia. Pamuk é um dos mais proeminentes escritores da Turquia, e seus trabalhos foram traduzidos em mais de cinquenta línguas. Ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais. Em 12 de outubro de 2006, tornou-se a primeira pessoa da Turquia a receber um Prêmio Nobel. Biografia:
Pamuk nasceu em Istambul em 1952 e cresceu em uma abastada família burguesa em declínio, uma experiência que ele descreve na passagem de romances seus como O Livro Negro e O Senhor Cevdet e Seus Filhos, bem como mais profundamente no seu Istambul: Memórias e a Cidade. Teve uma educação no Robert College da Turquia e passou a estudar arquitetura na Universidade Técnica de Istambul. Abandonando a escola de arquitetura três anos depois, tornou-se escritor em tempo integral e, em 1976, graduou-se no Intituto de Jornalismo da Universidade de Istambul. Dos 22 a 30 anos, Pamuk conviveu com sua mãe, escreveu seu primeiro romance e tentou encontrar uma editora para a publicação.
Em 1 de março de 1982, Pamuk casou-se com Aylin Turegen, historiadora. De 1985 a 1988, enquanto sua esposa graduava a Universidade Columbia, Pamuk adquiriu o direito de visitar a instituição e utilizou este tempo para realizar pesquisas e escreveu seu romance O Livro Negro.
Pamuk retornou para Istambul. Ele e sua mulher tiveram uma filha chamada Rüya nascida em 1991, cujo nome significa "sonho" em turco. Em 2001, ele e Aylin divorciaram-se.
Fama:
Logo após a publicação do seu terceiro romance, o nome de Pamuk começa a ter repercussão além fronteiras. A Cidade Branca (Beyaz Kale, 1985) é assim contemplado com o primeiro de muitos prémios literários internacionais. Nesta obra o autor começa a experimentar técnicas pós-modernas, distanciando-se claramente do naturalismo dos seus primeiros trabalhos.
Entre 1985 e 1988, Pamuk residiu em Nova Iorque, trabalhando como professor convidado na Universidade de Columbia. Durante a sua estadia escreveu grande parte do livro que iria começar a cimentar a sua reputação internacional e que teve um acolhimento muito favorável por parte do escritor norte-americano John Updike: Kara Kitap. Com os títulos de Os Jardins da Memória na edição portuguesa e The Black Book, na edição inglesa, foi publicado já após o seu regresso a Istambul, em 1990, e constituiu um ponto de viragem na sua carreira, graças ao sucesso que granjeou entre o público. Em 1992, esta controversa obra foi levada ao grande ecrã pelo seu compatriota Ömer Kavur, tendo sido o próprio Pamuk a escrever o guião do filme, intitulado Gizli Yüz (The Secret Face).
Nobel:
Em 1995, publica o romance A Vida Nova (Yeni Hayat), que em breve se tornaria num dos livros mais lidos de sempre na Turquia. A consagração definitiva dos críticos literários viria em 1998, com O Meu Nome É Vermelho (Benim Adım Kırmızı), um romance onde fantasia e realidade andam de mãos dadas e em que o mistério, o amor e a reflexão filosófica se entrelaçam sobre o pano de fundo de uma Istambul do século XVI, onde por vezes irrompe a Istambul dos dias de hoje. Esta obra valeu-lhe o prestigiado International IMPAC Dublin Literary Award de 2003, além de outros dois prémios.
Mas o que o catapultou definitivamente para a fama mundial entre o grande público foi o facto de ter sido galardoado, a 12 de Outubro de 2006, com o Nobel de Literatura. Na alegação onde a Academia Sueca justificava a atribuição do prémio, é de destacar a seguinte frase: "Em busca da alma melancólica da sua cidade natal, Pamuk encontrou novos símbolos para retratar o choque e o cruzamento de culturas".
Öteki Renkler ("Outras Cores") acaba de ser publicado em português (foi lançado em outubro - veja resenha do livro em http://cultura.updateordie.com/). Outros escritos de Pamuk são: nsaios 1999 , romance, 2002; İstanbul: Hatıralar ve Şehir, memórias; Babamın Bavulu ("A Mala do Meu Pai"), três comunicações, 2007 - nenhum traduzido para o português ainda.
Atividades Políticas:
Pamuk é uma figura de proa na Turquia na defesa dos direitos políticos dos curdos, tendo sido processado em 1995 juntamente com outros escritores por publicarem uma série de ensaios muito críticos em relação ao tratamento dado aos curdos pela Turquia. Em 2005 Pamuk foi acusado de "insultar e desacreditar a identidade turca" numa entrevista concedida a Das Magazin, um suplemento semanal de vários jornais diários suíços.
Na entrevista, o escritor afirmava que "ninguém se atreve a falar" do genocídio contra o povo arménio levado a cabo pela Turquia durante a Primeira Guerra Mundial e da posterior matança de 30 mil curdos. O caso foi levado à justiça turca, e Pamuk teve mesmo que prestar declarações em tribunal. Este caso suscitou grande polémica internacional e o romancista tornou-se conhecido um pouco por todo o mundo.
Referências:
http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/literature/laureates/2006/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Orhan_Pamuk

domingo, 16 de outubro de 2011

Ana Paula Tavares

Ana Paula Ribeiro Tavares (Lubango, província da Huíla, Angola, 30 de Outubro de 1952) é poetisa. Iniciou o seu curso de história na Faculdade de Letras do Lubango (hoje ISCED- Instituto Superior de Ciências da Educação - Lubango) terminando-o em Lisboa. Em 1996 concluiu o Mestrado em Literaturas Africanas. Actualmente vive em Portugal, faz o Doutoramento em literatura e lecciona na Universidade Católica de Lisboa. Ana Paula Tavares é a única poetisa contemporânea do período pós-independência angolana (11 de Novembro de 1975). Sempre trabalhou na área da cultura, museologia, arqueologia e etnologia, património, animação cultural e ensino. Participou em simpósios, congressos, comissões de estudo e elaboração de inúmeros projectos da área cultural. Foi Delegada da Cultura no Kwanza Norte, técnica do Centro Nacional de Documentação e Investigação Histórica (hoje Arquivo Histórico Nacional) do Instituto do Património Cultural. Foi membro do júri do Prémio Nacional de Literatura de Angola nos anos de 1988 a 1990 e responsável pelo Gabinete de Investigação do Centro Nacional de Documentação e Investigação Histórica em Luanda, de 1983 a 1985. É também membro de diversas organizações culturais como o Comité Angolano do Conselho Internacional de Museus (ICOM), Comité Angolano do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), da Comissão Angolana para a UNESCO. Tanto a prosa como a poesia de Ana Paula Tavares estão presentes em várias antologias em Portugal, no Brasil, em França, na Alemanha, em Espanha e na Suécia.
Obras:
Ritos de Passagem (poesia). Luanda: UEA, 1985 [2 ed. Lisboa: Caminho, 2007]. A primeira edição de Ritos de Passagem ocorreu em Angola, em 1985. A reedição de seu primeiro livro de sai agora pela editora Caminho (Portugal), esta versão vem enriquecida por ilustrações de Luandino Vieira: um escritor que lê a poesia de Paula Tavares através de manchas de café e tinta-da-china.
Sangue da Buganvília: crônicas (prosa). Centro Cultural Português Praia-Mindelo, 1998. As pouco mais de setenta crônicas que compõem o volume O sangue da buganvília, editado em 1998 pelo Centro Cultural Português de Cabo Verde, as crônicas foram em princípio escritas para serem lidas em um programa da Rádio de Difusão Portuguesa, com transmissão para os países africanos de língua portuguesa.
O Lago da Lua (poesia). Lisboa: Caminho, 1999.
O Lago da Lua, é de acordo com a crítica, um dos mais belos livros publicados em língua portuguesa, no ano de 1999. O texto pode ser descrito como a associação de uma serena, quente, sensível natureza africana, à mais vibrante, dolorosa, misteriosa sensibilidade feminina. Lá estão Angola e Cabo Verde, o Sul da África, a relação da água e do sangue menstrual, do sofrimento ao prazer, do corpo ao corpo, a visita do amor, a velhice, a memória. Tudo isto numa cadência delicada e forte ao mesmo tempo, em metáforas ricas, que conotam os astros e os sentidos e se espraiam por textos hiperintimistas ou pela descrição carinhosa, sendo agreste, do mundo primitivo dos medos e dos feitiços, dos gados transumantes, das horas verdes da seiva. A evocação das máscaras, das escarificações, das fogueiras, dos colares dos dias de luto está num pólo, não muito longe das citações da Bíblia; no outro pólo está o Japão de Mishima e Kawabata; por toda a parte, disseminada, está também a cultura europeia de Paula Tavares. E tudo isto por vezes se mistura e faz a universalidade, a candente harmonia e a originalidade da poesia de Ana Paula Tavares.
Dizes-me Coisas Amargas Como os Frutos (poesia). Lisboa: Caminho, 2001.
Em "Dizes-me coisas amargas como os frutos", de 2001, a escrita poética deixa visível a intenção de povoar o texto com dados concretos da realidade que, pousa no texto, muitas vezes, com seus sentidos expandidos ou apenas sugere relações que demandam um olhar mais cuidadoso sobre os costumes da terra angolana. Talvez seja esse transbordar de sensações, de toques suaves, que apreende o leitor, mesmo aquele que desconhece os dados concretos que habitam os versos de Paula Tavares. Encanta o leitor a exploração de recursos próprios da escrita poética, o trabalho cuidadoso com a plasticidade das cenas, das elaborações sensuais que organizam os poemas, comedidos, sintéticos, avessos ao excesso.
A Cabeça de Salomé (prosa). Lisboa: Caminho, 2004.
"Deslizar os dedos por manuscritos antigos"; é o que fazem as vozes enunciadoras das crônicas de A Cabeça de Salomé, cujo corpo poético apreende, por entre o fluir de sons, tradições, cheiros e sabores, a arquitetura insondável dos mistérios da vida, da terra, da magia das letras do mundo angolano de Paula Tavares. Palavras borbulham, transgressoras, no avesso do mito bíblico subvertido: é a cabeça de Salomé a ofertada, mas num cesto cokwe… Tecido por intenso erotismo da linguagem, novos olhares femininos se impõem, seja pela saudade amorosa do velho Kinaxixe, seja pela cartografia dos sonhos de Felícia, seja ainda pela crítica à demolição do palácio de Ana Joaquina. Este livro trata, em última instância, da sedução: da mulher, da terra, da palavra. Merece ser lido, em silêncio, como num ritual de amanhecer…
Os olhos do homem que chorava no rio (romance), em co-autoria com Manuel Jorge Marmelo. Lisboa: Caminho, 2005.
Um romance que é mais uma prosa poética, quase sem enredo, que trata de um tipógrafo brasileiro que, à beira do rio Douro, faz um devaneio em que procura recuperar a vida perdida e descobre que ainda pode amar. Escrito a quatro mãos, pela angolana Ana Paula Tavares e pelo portuense Manuel Jorge Marmelo, Os olhos do homem que chorava no rio mais parece feito por uma só alma, embora tenha tido o seu tema sugerido por um terceiro escritor, o brasileiro Paulinho Assunção. Assim, a exemplo de um antigo romance de Adonias Filho (1915-1990), Luanda Beira Bahia, de 1971, refaz-se uma triangulação nas literaturas de expressão portuguesa, desta vez, reunindo Huíla, Porto e Belo Horizonte. Segundo Paulinho Assunção (1971), amigo dos autores, este é um livro-música-de-câmara. E o define muito bem, pois é mais uma fantasia onírica. Afinal, de sua leitura pode-se ouvir sons mágicos, o som que vem da correnteza do rio, do fluxo de pensamento. Como não se sabe quem escreveu o quê, o que se pode dizer é que os autores produziram um romance que é também uma prova prática das idéias do pensador francês Gaston Bachelard (1884-1962), autor A Água e os Sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria (São Paulo, Martins Fontes, 1989, tradução de Antônio de Pádua Danesi), para quem "contemplar a água é escoar-se, dissolver-se, é morrer". Até porque não há quem, ao se sentar perto de um riacho, não caia em devaneio profundo nem deixe de rever a sua ventura.
Manual Para Amantes Desesperados (poesia). Lisboa: Caminho, 2007.
Segundo um dito umbundu, «Um cesto faz-se de muitos fios». Também uma teia. Teia é o poema fabricado pelos fios das palavras que lhe tecem, minuciosos, o corpo. Assim é a poesia de Ana Paula Tavares, voz depurada da Literatura Africana de Expressão Portuguesa. Manual para Amantes Desesperados, livro editado em 2007 e Ritos de Passagem, o título inaugural da autora, reeditado no ano passado, são duas urdiduras poéticas que motivam este nosso texto.
Em Manual para Amantes Desesperados, a teia que a poeta tece é feita de fogo e sede, de areia e vento, de sangue e febre, de sons e de segredos. Tecedeira exímia, a poeta mostra que é oriunda de um lugar onde "há pedras antigas /gastas das mãos das mulheres /que inventam a farinha de levedar /os dias".

Poemas:
Mukai;
Canto de nascimento;
Não conheço nada do país do meu amado;
Vieram muitos…;
Tratem-me com a massa;
November without water;
Abóbora menina;
O mirangolo;
Rapariga;
Amargos como os frutos;
Entre os lagos;
História de amor da princesa Ozoro e do húngaro Ladislau Magyar;
A manga;
A mãe e a irmã;
O cercado;

Bibliografia:
Ritos de Passagem, 1985
O Lago da Lua, 1999
O Sangue da Buganvilia 1998
Dizes-me coisas amargas como os frutos, 2001
Ex- votos, 2003
A cabeça de Salomé, 2004
Os olhos do homem que chorava no rio, 2005 (co- autor: Manuel Jorge Marmelo)
Manual para amantes desesperados, 2007
Influências:
A escrita de Ana Paula Tavares sofreu influência de autores brasileiros como Manuel Bandeira, Jorge Amado,Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Mello Neto, cujas obras chegavam a Angola por meio de viajantes. Segundo a poeta, não só a literatura, mas a música brasileira também influenciou sua escrita, bossa nova que estava sempre muito presente em seus momentos de criação. De acordo com Ana Paula, "depois da poesia brasileira, a música brasileira teve um papel muitíssimo importante na divulgação de seus textos. Começava-se por ouvir a música e então partia-se para outras coisas."

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Paula_Ribeiro_Tavares

terça-feira, 20 de setembro de 2011

José Luandino Vieira




José Luandino Vieira, pseudónimo literário de José Vieira Mateus da Graça (Vila Nova de Ourém, 4 de Maio de 1935) é um escritor angolano.
Português de nascimento, passou a juventude em Luanda, onde concluiu os estudos secundários. Durante a Guerra Colonial, combateu nas fileiras do MPLA, contribuindo para a criação da República Popular de Angola. Detido pela PIDE, pela primeira vez em 1959, foi um dos acusados do Processo dos 50, acabando condenado a catorze anos de prisão, em 1961. Antes disso a Sociedade Portuguesa de Autores, então presidida por Manuel da Fonseca, pretendera atribuir-lhe o Prémio Camilo Castelo Branco, pela sua obra Luuanda. Essa acção fez com a PIDE/DGS levasse a cabo uma acção de desmantelamento da SPA. Luandino Vieira cumpriu a pena de prisão no Campo do Tarrafal, em Cabo Verde, regressando a Portugal em 1972, com residência vigiada em Lisboa.
Em 1975 regressou a Angola. Ocupou os cargos de director da Televisão Popular de Angola (1975-1978), director do Departamento de Orientação Revolucionária do MPLA (1975-1979) e do Instituto Angolano de Cinema (1979-1984), co-fundador da União dos Escritores Angolanos, de que foi secretário-geral (1975-1980 e 1985-1992) e secretário-geral adjunto da Associação dos Escritores Afroasiáticos (1979-1984). Com o fiasco das primeiras eleições livres, em 1992, e o reinício da guerra civil angolana, regressou a Portugal. Radicou-se no Minho, onde vive em isolamento na quinta de um amigo, passando a dedicar-se à agricultura.

Em 2006 foi-lhe atribuído o Prémio Camões, o maior galardão literário para a língua portuguesa. Contudo, recusou o prémio alegando «motivos íntimos e pessoais», segundo um comunicado de imprensa. Entrevistas posteriores, sobretudo ao Jornal de Letras, esclareciam que o autor não aceitara o prémio por se considerar um escritor morto e, como tal, o Prémio deveria ser entregue a alguém que continuasse a produzir. Ainda assim publicou dois novos livros em 2006.

Cargos que exerceu:
1975 - 1978 - organizou e dirigiu a Televisão Popular de Angola
1979 - dirigiu o Departamento de Orientação Revolucionária do MPLA.
1975 - 1980 - secretário-geral da União dos Escritores Angolanos (Membro Fundador)
1979 - 1974 - dirigiu o Instituto Angolano do Cinema.
1979 - 1984 - secretário-geral Adjunto da Associação dos Escritores Afroasiáticos
1985 - 1992 - secretário-geral da União dos Escritores de Angola

Colaborações jornalísticas:
Mensagem, da Casa dos Estudantes do Império de Lisboa, (Lisboa, 1950; 1961-1963)
O Estudante (Luanda, 1961)
Cultura (Luanda, 1961)
Boletim Cultural do Huambo (Nova Lisboa, 1958)
Jornal de Angola (Luanda 1961-1963)
Jornal do Congo (Carmona, 1962)
Vértice (Coimbra, 1973)
e Jornal de Luanda (1973 -?)

Obras:
ContosA cidade e a infância (Contos), 1957; 1986
Duas histórias de pequenos burgueses (Contos), 1961
Luuanda (Contos), 1963; 2004
Vidas novas (Contos), 1968; 1997
Velhas histórias (Contos), 1974; 2006
Duas histórias (Contos), 1974
No antigamente, na vida (Contos), 1974; 2005
Macandumba (Contos), 1978; 2005
Lourentinho, Dona Antónia de Sousa Neto & eu (Contos), 1981; 1989
História da baciazinha de Quitaba (Conto), 1986

Novela:
A vida verdadeira de Domingos Xavier, 1961; 2003
João Vêncio. Os seus amores, 1979; 2004

Romance:
Nosso Musseque (Romance), 2003
Nós, os do Makulusu (Romance), 1974; 2004
O livro dos rios, 1º vol. da trilogia De rios velhos e guerrilheiros(Romance), 2006

Infanto-juvenil:
A guerra dos fazedores de chuva com os caçadores de nuvens. Guerra para crianças (Infanto-juvenil), 2006

Tradução:
A Clockwork Orange (Laranja Mecânica)de Anthony Burgess, 1973

Outros:
Kapapa: pássaros e peixes, 1998
À espera do luar, 1998

Prémio:
Grande Prémio de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores (Prémio Camilo Castelo Branco) (1965)
Prémio Sociedade Cultural de Angola (1961),
Casa dos Estudantes do Império - Lisboa (1963)
Prémio Mota Veiga (1963)
Associação de Naturais de Angola (1963).
Prémio Camões (2006)

Opiniões sobre o autor:
"A sua obra, importantíssima, foi precursora da literatura angolana e tem raízes na terra e na cultura do país" - José Saramago
"Luandino Vieira é também um marco revolucionário pelo movimento que criou em Portugal a favor da liberdade de expressão" - Lídia Jorge
"Luandino Vieira é um nome tão grande da literatura em língua portuguesa que a sua distinção já há muitos anos era esperada". "A sua obra tem um enorme valor, e este prémio é um reconhecimento da dinâmica das literaturas africanas e do vigor da Língua Portuguesa em África" - José Eduardo Agualusa.
"(…) autor que conta na literatura de língua portuguesa e porque foi a certa altura quase um símbolo de rebelião" - Eduardo Lourenço
"Luandino Vieira dedicou toda a sua vida ao povo angolano, expressando, através dos seus escritos, o sofrimento e as alegrias do povo" - Arlindo Isabel, director da Editorial Nzila.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Luandino_Vieira

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Cine África: Teresa Prata - Terra Sonâmbula (2007)

Cine África: Teresa Prata - Terra Sonâmbula (2007): "Moçambique Teresa Prata 2007 Drama IMDB Português Legenda: Português 96min 700 Mb Terra Sonâmbula Primeiro longa-metragem da..."

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Solidão - Mia Couto

Solidão
Aproximo-me da noite o silêncio abre os seus panos escuros e as coisas escorrem por óleo frio e espesso
Esta deveria ser a hora em que me recolheria como um poente no bater do teu peito mas a solidão entra pelos meus vidros e nas suas enlutadas mãos solto o meu delírio
É então que surges com teus passos de menina os teus sonhos arrumados como duas tranças nas tuas costas guiando-me por corredores infinitos e regressando aos espelhos onde a vida te encarou
Mas os ruídos da noite trazem a sua esponja silenciosa e sem luz e sem tinta o meu sonho resigna
Longe os homens afundam-se com o caju que fermenta e a onda da madrugada demora-se de encontro às rochas do tempo.
Raiz de Orvalho e Outros Poemas"


Antônio Emílio Leite Couto
nasceu em Beira, Moçambique, em 1955. O nome “Mia” é proveniente de sua paixão pelos gatos e pelo fato de seu irmão menor, em tempos de infância, não conseguir proferir seu nome corretamente. Cursava Medicina, quando logo iniciou os primeiros trabalhos no Jornalismo. Abandonou a medicina, e passou a se dedicar inteiramente à escrita. Mia Couto tornou-se diretor da Agência de Informação de Moçambique e logo passou a se dedicar à biologia. Tem suas obras traduzidas para o alemão, francês, espanhol, catalão, inglês e italiano. Iniciou seus lançamentos literários através da poesia, publicando o livro “Raiz de Orvalho” em 1983. Já havia participado de uma antologia poética, em edição do Instituto Nacional do Livro e do Disco, com a participação do poeta moçambicano Orlando Mendes. Logo passou a se dedicar aos contos e às crônicas publicadas em semanários moçambicanos, veiculados na capital Maputo. Mia Couto é filho de portugueses, e era militante da Frente de Libertação de Moçambique, lutando pela independência de seu país entre 1964 a 1974. Ajudou a compor o hino nacional moçambicano, e trabalhou para o governo durante a guerra civil no período de 1976 a 1992.
Fonte: http://camposeternos.blogspot.com/2011/02/mia-couto.html

Identidade - Mia Couto

Identidade


Preciso ser um outro para ser eu mesmo

Sou grão de rocha

Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando o sexo das árvores

Existo onde me desconheço aguardando pelo meu passado ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro no mundo por que luto nasço



"Raiz de Orvalho e Outros Poemas" MIA COUTO.


Encontros Literários - Mia Couto no colégio Marupiara no dia 04 de Agosto de 2011 às 10h

Mia Couto, nascido António Emílio Leite Couto (Beira, 5 de Julho de 1955), é um biólogo e escritor moçambicano.
Filho de portugueses que emigraram a Moçambique em meados do século XX, Mia nasceu e foi escolarizado na Beira. Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo). Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações em Setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir trabalhou como diretor da revista Tempo até 1981 e continuou a carreira no jornal Notícias até 1985. Em 1983, publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho, que inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois, demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia. Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana.

Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué. Em 2007, foi entrevistado pela revista Isto É. Foi fundador de uma empresa de estudos ambientais da qual é colaborador.
Bibliografia:

Muitos dos livros de Mia Couto são publicados em mais de 22 países e traduzidos em alemão, francês, espanhol, catalão, inglês e italiano.
Poesia:

Estreou-se no prelo com um livro de poesia, Raiz de Orvalho, publicado em 1983. Mas já antes tinha sido antologiado por outro dos grandes poetas moçambicanos, Orlando Mendes (outro biólogo), em 1980, numa edição do Instituto Nacional do Livro e do Disco, resultante duma palestra na Organização Nacional dos Jornalistas (actual Sindicato), intitulada "Sobre Literatura Moçambicana". Em 1999, a Editorial Caminho (que publica as obras de Couto em Portugal) relançou Raiz de Orvalho e outros poemas que teve sua 3ª edição em 2001. Contos: Nos meados dos anos 80, Couto estreou-se nos contos e numa nova maneira de falar - ou "falinventar" - português, que continua a ser o seu "ex-libris". Nesta categoria de contos publicou: Vozes Anoitecidas (1ª ed. da Associação dos Escritores Moçambicanos, em 1986; 1ª ed. Caminho, em 1987; 8ª ed. em 2006; Grande Prémio da Ficção Narrativa em 1990, ex aequo) Cada Homem é uma Raça (1ª ed. da Caminho em 1990; 9ª ed., 2005) Estórias Abensonhadas (1ª ed. da Caminho, em 1994; 7ª ed. em 2003) Contos do Nascer da Terra (1ª ed. da Caminho, em 1997; 5ª ed. em 2002) Na Berma de Nenhuma Estrada (1ª ed. da Caminho em 1999; 3ª ed. em 2003) O Fio das Missangas (1ª ed. da Caminho em 2003; 4ª ed. em 2004)
Crônicas:

Para além disso, publicou em livros algumas das suas crónicas, que continuam a ser coluna num dos semanários publicados em Maputo, capital de Moçambique: Cronicando (1ª ed. em 1988; 1ª ed. da Caminho em 1991; 7ª ed. em 2003; Prémio Nacional de Jornalismo Areosa Pena, em 1989) O País do Queixa Andar (2003) Pensatempos. Textos de Opinião (1ª e 2ª ed. da Caminho em 2005) E se Obama fosse Africano? e Outras Interinvenções (1ª ed. da Caminho em 2009)
Romances:

E, naturalmente, não deixou de lado o género romance, tendo publicado: Terra Sonâmbula (1ª ed. da Caminho em 1992; 8ª ed. em 2004; Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995; considerado por um juri na Feira Internacional do Zimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX) - A Varanda do Frangipani (1ª ed. da Caminho em 1996; 7ª ed. em 2003) - Mar Me Quer (1ª ed. Parque EXPO/NJIRA em 1998, como contribuição para o pavilhão de Moçambique na Exposição Mundial EXPO '98 em Lisboa; 1ª ed. da Caminho em 2000; 8ª ed. em 2004) - Vinte e Zinco (1ª ed. da Caminho em 1999; 2ª ed. em 2004) - O Último Voo do Flamingo (1ª ed. da Caminho em 2000; 4ª ed. em 2004; Prémio Mário António de Ficção em 2001) - O Gato e o Escuro, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Caminho em 2001; 2ª ed. em 2003), com ilustrações de Marilda Castanha (1ª ed. brasileira, da Cia. das Letrinhas, em 2008) - Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra (1ª ed. da Caminho em 2002; 3ª ed. em 2004; rodado em filme pelo português José Carlos Oliveira) - A Chuva Pasmada, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Njira em 2004) - O Outro Pé da Sereia (1ª ed. da Caminho em 2006) - O beijo da palavrinha, com ilustrações de Malangatana (1ª ed. da Língua Geral em 2006) - Venenos de Deus, Remédios do Diabo (2008) Jesusalém [no Brasil, o livro tem como título Antes de nascer o mundo] (2009) Prémios: 1995 - Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos 1999 - Prémio Vergílio Ferreira, pelo conjunto da sua obra 2001 - Prémio Mário António, pelo livro O último voo do flamingo 2007 - Prémio União Latina de Literaturas Românicas 2007 - Prêmio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura, na Jornada Nacional de Literatura
Academia Brasileira de Letras:

É sócio correspondente, eleito em 1998, da Academia Brasileira de Letras, sendo sexto ocupante da cadeira 5, que tem por patrono Dom Francisco de Sousa. Trabalho como biólogo:

Como biólogo, dirige a Avaliações de Impacto Ambiental, IMPACTO Lda., empresa que faz estudos de impacto ambiental, em Moçambique. Mia Couto tem realizado pesquisas em diversas áreas, concentrando-se na gestão de zonas costeiras. Além disso, é professor da cadeira de ecologia em diversos cursos da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

Referências:

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=2922&op=all
Chabal, Patrick. ‘’Vozes Moçambicanas’’. Vega: Lisboa, 1994. (274-291) Furtado, Jonas. "Entrevista a Mia Couto", Revista Isto É, Editora Três, 2007-09-26. Página visitada em 2009-12-01.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nelson Pereira do Santos - Diretor de cinema brasileiro



Nelson Pereira dos Santos (São Paulo, 22 de outubro de 1928) é um diretor de cinema brasileiro. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, turma de 1952.
Considerado um dos mais importantes cineastas do país, seu filme Vidas Secas, baseado na obra de Graciliano Ramos, é um dos filmes brasileiros mais premiados em todos os tempos, sendo reconhecido como obra-prima.
Foi um dos precursores do movimento do Cinema Novo.
É o fundador do curso de graduação em Cinema da Universidade Federal Fluminense, sendo professor do Instituto de Artes e Comunicação Social da UFF.

Filmografia1949 - Juventude (curta-metragem)
1955 - Rio, 40 Graus
1957 - Rio, Zona Norte
1961 - Mandacaru Vermelho
1962 - Boca de Ouro
1963 - Vidas Secas
1967 - El Justicero
1968 - Fome de Amor
1970 - Azyllo Muito Louco
1971 - Como Era Gostoso o Meu Francês
1972 - Quem é Beta?
1974 - O amuleto de Ogum
1977 - Tenda dos Milagres
1980 - Na Estrada da Vida com Milionário & José Rico
1982 - Missa do Galo (curta-metragem)
1984 - Memórias do Cárcere
1987 - Jubiabá
1994 - A Terceira Margem do Rio
1995 - Cinema de Lágrimas
1998 - Guerra e Liberdade - Castro Alves em São Paulo
2000 - Casa Grande & Senzala (série documental para TV)
2001 - Meu Cumpadre Zé Keti (curta-metragem)
2004 - Raízes do Brasil (documentário)
2006 - Brasília 18%
2009 - Português, a Língua do Brasil (documentário)

Academia Brasileira de Letras

Em 2006, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 7, cujo patrono é Castro Alves. É o primeiro cineasta brasileiro a se tornar imortal.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nelson_Pereira_dos_Santos

segunda-feira, 13 de junho de 2011

123º Aniversário de Fernando Pessoa







Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.

É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo".[1]

Por ter crescido na África do Sul, para onde foi aos seis anos em virtude do casamento de sua mãe, Pessoa aprendeu a língua inglesa. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa dedicou-se também a traduções desse idioma.

Ao longo da vida trabalhou em várias firmas como correspondente comercial. Foi também empresário, editor, crítico literário, ativista político, tradutor, jornalista, inventor, publicitário e publicista, ao mesmo tempo que produzia a sua obra literária. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos, objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Centro irradiador da heteronímia, auto-denominou-se um "drama em gente".

Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática aos 47 anos, na cidade onde nasceu. Sua última frase foi escrita em Inglês: "I know not what tomorrow will bring… " ("Não sei o que o amanhã trará").

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Baio ou Pampeano? - Sério Capparelli



Baio ou Pampeano?
Quincas conseguiu dinheiro para comprar um cavalo. Um fazendeiro vizinho lhe mostrou dois. Um baio e um pampeano. Quincas ficou muito contente, porque os dois eram muito bons. Mas preocupou-se. Se comprasse o baio, ficaria sem o pampeano, se comprasse o pampeano, ficaria sem o baio. Decisão difícil. Cada um dos cavalos tinha qualidade únicas.

Quincas foi se aconselhar Seu Zeca.
-Eu não escolho o baio para não perder o pampeano e não escolho o pampeano para não perder o baio.
-Mas pode comprar os dois? - quis saber Seu Zeca.
-Só tenho dinheiro para um deles - respondeu
Seu Zeca acendeu o palheiro, soltou uma baforada e disse:
-Se você examinar bem a situação, vai perceber que a saída é muito fácil. E em vez de perder, você ganha.
Quincas arregalou os olhos:
-Como, Seu Zeca?
-Você não se decide porque tem medo de perder um deles. E enquanto não toma a decisão, fica sem nenhum. No momento em que escolher, passa a ter um. Por isso, com a decisão, ganha em vez de perder.
Ilust. Horse Tack World

2008-01-25 21:35:21
Fonte: http://www.capparelli.com.br/raposa.php

segunda-feira, 23 de maio de 2011

"Quando eu for Grande, Quero ir à Primavera" - José Pacheco



"Quando eu for Grande, Quero ir à Primavera"

(Para todos aqueles que ainda ousam desenhar roteiros vagabundos ou empreender viagens por caminhos incertos.)Aquele inexperiente professor tinha-se deixado influenciar por um grupo (nesses perturbados tempos considerado marginal, de má fama e politicamente suspeito) que dava pelo nome de Movimento da Escola Moderna. Com professores "marginais" aprendeu uma máxima que o iria acompanhar para onde quer que o levassem os concursos e a coragem: olha para o que és (ou pretendes ser como pessoa e professor), não olhes para o que outros fazem (ou não fazem, ou não são...).Leu tudo o que havia para ler (ou o deixavam ler) sobre o Freinet do "texto livre". Mas, por meados de Novembro, já começava a descrer da cartilha. Ele bem tentava, mas os trinta alunos que havia herdado de um austero professor à moda antiga reformado não saíam dos canónicos "a vaca dá leite, ossos e carne", "a vaca é muito importante para a nossa alimentação", "eu gosto muito das vacas", "quando eu for grande, quero ser vaca"...Alguns putos sobreviventes da última "classe masculina" tinham na ponta da língua a tabuada, sabiam de cor as estações de caminho-de-ferro de Benguela e o sistema galaico-duriense, tratavam por tu os esteres e os miriares, desenhavam na perfeição a caneca da praxe e ainda sabiam entoar a música (já só a música!) do "somos pequenos lusitos", que o tempo de o Jesus do cruxifixo estar ladeado por dois ladrões ainda não ia longe e a Biblioteca Popular não tinha sido desmantelada, apesar da ordem expressa dos novos poderes.Naquele tempo, a palavra liberdade ainda inspirava em muitos espíritos sentimentos contraditórios. De modo que, quando colocados perante a possibilidade de rabiscarem "redacções" a que o jovem professor teimava em chamar "textos livres", ainda que o equinócio mais próximo fosse o de Setembro e já se começasse a pensar em preparar a festinha de Natal, os miúdos adoravam escrever sobre... "A Primavera".Durante aquela "quinzena de trabalho", o professor tinha lido mais de vinte textos encimados pela palavra "redacção", com o mesmo título ("A Primavera") e formatados em vinte linhas de lugares-comuns. Ficou a saber que a Primavera era uma estação do ano, que os passarinhos faziam os ninhos, as flores nasciam nos campos, a temperatura subia nos termómetros e que a comunhão pascal estava próxima. Ficou sabendo que todos, sem excepção, gostavam da Primavera, o óbvio a que um dos alunos acrescentara (por distracção, ou por súbita inspiração, nunca se chegou a saber) que, quando fosse grande "gostaria de ir à Primavera"...Naquele tempo, o dia começava, invariavelmente, com a aula de educação físico-motora. Sob a orientação do professor, os alunos cumpriam o ritual diário de voltar a pôr em grupos as carteiras que a colega da tarde voltaria a colocar todas alinhadas, voltadas para o quadro negro e para a secretária.Concluído o exercício de musculação, o professor propôs que fossem lidos todos os textos "livres" (o professor era um teimoso...), para seleccionar alguns para o terceiro jornal. Importa fazer um parêntesis na narrativa, para referir que o dinheiro da venda dos dois anteriores dera para comprar o tabopan com que os alunos construiram a mesa que suportava o limógrafo, o copiador de gelatina e a máquina a petróleo onde era aquecido o "leite escolar". Mas, dessa vez, o professor sugeriu à assembleia de alunos que, contrariando o acordado, não fossem os autores a lê-los mas o professor.Autorizado, iniciou a leitura do primeiro texto: "A Primavera. Eu gosto muito da Primavera. A Primavera é uma estação do ano, que começa no dia ..." E daí por diante, até ao inevitável "Depois da Primavera, vem o Verão, que é outra estação do ano muito bonita". Chegado ao fim da primeira leitura e tendo o cuidado de não permitir que os alunos vissem o papel e reconhecessem a caligrafia, perguntou:- "Quem escreveu este texto?"De imediato, ergueram-se vinte e tal braços, que os putos acabaram por baixar, no meio de grande embaraço e confusão. Não satisfeito com a reacção e sem delongas, o professor passou à leitura do segundo texto, que era clone do anterior, e repetiu a pergunta:- "Quem escreveu este texto?"Alguns alunos ainda esboçaram um levantar de braço, mas rapidamente suspenderam o gesto.Ao cabo de uma dezena de leituras, a perturbação inicial deu lugar ao riso. Os alunos tinham percebido a mensagem. Já não erguiam os bracitos, mas mal sabiam o que os esperava. O professor propôs um novo jogo de escrita a que todos aderiram sem reservas.Dessa vez, foi o professor quem ditou as regras. Já que todos gostavam de escrever sobre a Primavera, assim se faria, mas não poderiam recorrer a qualquer das frases tradicionalmente utilizadas: "eu gosto muito da Primavera", "as andorinhas...", etc, etc... O silêncio tomou conta da sala, um silêncio estranho, nunca visto. Mas jogo era jogo, teria de ir até ao fim.Durante alguns longos minutos, os alunos entreolhavam-se, cotovelos assentes nas carteiras, cabeças entre as mãos, gestos de impaciência... até que um deles, após um trejeito no rosto, se decidiu escrever algo. O colega do lado espreitou, encolheu os ombros como se dissesse "olha a grande novidade!" e fez par com o primeiro.Pouco a pouco, juntaram-se os restantes, cada qual na sua vez, que o "ritmo individual", apesar de não se constituir em conceito cientificamente assumido, é de uma cruel evidência para aqueles que, como o outro, ainda crêem que a pedagogia é a arte de ensinar tudo a todos como se fossem um só.Findo o inesperado jogo, os textos foram recolhidos. Seguindo os mesmos cuidados da primeira sessão de leitura, o professor leu o primeiro dos textos e perguntou:-"Quem escreveu este texto?"No meio dos seus trinta alunos, um braço ergueu-se decidido, um só braço, uma só mão autora.O professor disfarçou como pode a emoção e leu o segundo dos textos. Novamente, um só erguer de braço sem hesitações, um gesto único, convicto. E assim foi acontecendo até à derradeira leitura daqueles textos LIVRES.

José Pacheco

Escola da Ponte / Vila das AvesFonte:


sexta-feira, 29 de abril de 2011

EROS & EQUUS








Por que parece que nunca se cansam de histórias de um bom cavalo?

Perhaps it is because they connect us to something deeper and more meaningful.

Talvez seja porque eles nos ligam a algo mais profundo e significativo.

Books about the wild joys of riding and the profoundness of our relationships to these grand animals take us away from everyday reality, but even more than that, they remind us of a creature both noble and kind, powerful and tender, as beautiful today as it was a thousand years ago.

Livros sobre as alegrias selvagens da equitação e da profundidade das nossas relações com estes animais grandes nos levar para longe da realidade cotidiana, mas ainda mais do que isso, eles nos lembram de uma criatura ao mesmo tempo nobre e gentil, poderosa e terna, como hoje em dia bonito como foi há mil anos.

Here in this exceptional anthology of sensual writing, eros and equus merge.
Aqui nesta antologia excepcional de escrita sensual, eros e equus direta.

Selections from writers such as: Jim Harrison, Jean Giono, Jane Smiley, Maxine Kumin, John Hawkes, Kay Boyle, Charles Bukowski, Lyn Lifshin, Annie Dillard, Michael Korda, Lucy Grealy, Tess Gallagher and Billie Collins, are balanced by the exceptional duotone photographs of Donna DeMari.

Seleções de escritores como: Jim Harrison, Jean Giono, Jane Smiley, Kumin Maxine, John Hawkes, Kay Boyle, Charles Bukowski, Lifshin Lyn, Annie Dillard, Michael Korda, Grealy Lucy, Tess Gallagher e Collins Billie, são equilibradas pela duotone excepcionais fotografias de Donna DeMari.

This is Laura Chester's fifth anthology, a wild and wonderful ride.

Esta é a quinta antologia Laura Chester, um passeio selvagem e maravilhoso.

About the Author

Sobre o Autor:

Laura Chester has been writing, editing, and publishing poetry, fiction, and non-fiction since the early seventies.


Laura Chester foi escrita, edição e publicação de poesia, ficção e não-ficção desde o início dos anos setenta.

Editor of the first 20th Century American Women Poets anthology, Rising Tides, she went on to edit several important collections, including Deep Down (Faber & Faber), and The Unmade Bed (HarperCollins).


Editor da 20th Century primeiro American Women antologia Poetas, Rising Tides, ela passou a editar várias coleções importantes, incluindo a Deep Down (Faber & Faber), e A cama desfeita (HarperCollins).

Her most recent books include a new edition of Lupus Novice (Station Hill Press); a short story collection, Bitches Ride Alone (Black Sparrow Press); the novels The Story of the Lake (Faber & Faber) and Kingdom Come (Creative Arts Book Company).



Seus livros mais recentes incluem uma nova edição do Lupus Iniciante (Hill Station Press), uma coletânea de contos, Bitches Ride Alone (Black Sparrow Press), os romances The Story of the Lake (Faber & Faber) e Kingdom Come (Creative Arts Book Company).

Indiana University Press published the non-fiction book, Holy Personal, with photographs by Donna DeMari.



Indiana University Press publicou o livro de não-ficção, Santo pessoais, com fotografias de Donna DeMari.

About the Photographer

Sobre o Fotógrafo

Donna DeMari has been shooting fashion and fine arts photography since the late seventies. Donna DeMari foi fotografar moda e fotografia artes plásticas desde os anos setenta.

Her work has appeared in many top European magazines, including Vogue, Elle, and Marie Claire.

Seu trabalho apareceu em muitas revistas de topo europeu, incluindo a Vogue, Elle e Marie Claire.

A show of her horse photographs, "Flying Mane," was held at the SAS Gallery in New York.

Uma mostra de fotografias de seu cavalo, "Flying Mane", foi realizada na Galeria SAS em Nova York.

Fonte: http://www.willowcreekpress.com/product/3880.html

sábado, 23 de abril de 2011

Snap Do You See The Light

Significado dos sentimentos

Mais do que Imaginei



Quis enganar meu coração
Mas foi em vão, a verdade vem e não dá
E eu só penso em te encontrar
Eu quero o teu amor
Se eu disser que perdi a direção
Se eu disser que machuquei meu coração
Quando eu disse não
Tudo que eu vejo só lembra você
E é impossível te esquecer
Por isso, vem amor
De tudo que vivi você foi mais
Do que eu imaginei ser capaz
Se eu tiver todo o teu calor outra vez aqui
Olhe bem para os meus olhos
Pra sentir, quanto eu sofri
Hoje eu sei que preciso de você
E não dá pra imaginar te perder
Eu amo o teu amor
De tudo que vivi você foi mais
Do que eu imaginei ser capaz

Posso ter defeitos...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sweet harmony..The beloved..

Me perdi de Amor





Me perdi de amor (Rosa Cleide Marques)

Eu me perdi no teu cheiro, na tua boca, no teu beijo de amor...

Eu me perdi no teu sorriso, na sua calma, no seu jeito de ser, na paixão...

Eu me perdi na brisa que te acalenta, na grandeza do teu ser, na imensidão...

Eu me perdi no seu calor, no seu aconchego, no seu olhar, na sedução...

Eu me perdi na sua boca úmida e quente... Eu mim perdi na total entrega e mim encontrei em ti... E mim perdi de amor...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Como um Romance - Daniel Pennac



Sou uma leitora apaixonada por tudo que o Daniel Pennac escreve. Acabei de ler o livro "Como um romance", e me deu vontade de escrever sobre essa leitura. O escritor, que também é romancista e professor, conta sobre sua experiência como "formador de leitores" e como conseguiu despertar nos alunos o gosto pela leitura, livros e autores. Todos os bibliotecários, educadores, pais, professores deveriam, mais que outros, ler esse livro.

DIREITOS IMPRESCRITÍVEIS DO LEITOR

1. O direito de não ler.

2. O direito de pular páginas.

3. O direito de não terminar um livro.

4. O direito de reler.

5. O direito de reler.

6. O direito ao bovarismo* (doença textualmente transmissível).

7. O direito de ler em qualquer lugar.

8. O direito de ler uma frase aqui e outra ali.

9. O direito de ler em voz alta.

10. O direito de calar.

Sou encanta com o jeito não-pretensioso como o Daniel Pennac escreve, de como ele deixa transparecer o amor pelos livros.

O Pennac fala, entre outras coisas, de algo com que me identifiquei bastante: que lemos o que as pessoas de quem gostamos nos indicam e, enquanto lemos, buscamos a pessoa no livro que ela indicou. Leio muitas indicações de amigos e, quando leio, é como se estivesse dialogando com eles...

Sobre a "falta de tempo" para ler, destaco essa passagem: O tempo para ler é sempre um tempo roubado.

(Tanto como o tempo para escrever, aliás, ou o tempo para amar.) Roubado a quê? Digamos, à obrigação de viver. O tempo para ler, como o tempo para amar, dilata o tempo para viver.Se tivéssemos que olhar o amor do ponto de vista de nosso tempo disponível, quem se arriscaria? Quem é que tem tempo para se enamorar? E no entanto, alguém já viu um enamorado que não tenha tempo para amar? Eu nunca tive tempo para ler, mas nada, jamais, pôde me impedir de terminar um romance de que eu gostasse. A leitura não depende da organização do tempo social, ela é, como o amor, uma maneira de ser." (PENNAC, Daniel. Como um Romance. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Gabriel Perissé - Os sete pecados capitais e as virtudes da educação


Gabriel Perissé (Rio de Janeiro, 1962) é um professor e escritor brasileiro.
Formou-se em Letras pela UFRJ em 1985, ano em que foi morar em São Paulo, onde obteve o grau de mestre em Literatura Brasileira (1989) pela USP, estudando a obra do poeta Carlos Nejar.
Defendeu o doutorado em Filosofia da Educação, também na USP, em 2003, analisando o pensamento de Alfonso López Quintás.
Desde 1983, ministra palestras/cursos em escolas e faculdades, empresas e ongs, livrarias, bibliotecas e editoras, sobre temas relacionados à arte de ler, pensar, escrever e ensinar. A partir de 1998, tornou-se professor universitário, ministrando aulas de Comunicação Visual, Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Literatura Infantil, no Centro Universitário São Camilo, na Universidade de Santo Amaro e no Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa. Atualmente, é professor do programa de mestrado e doutorado em educação da Universidade Nove de Julho (UNINOVE-SP).
Colabora em várias revistas e jornais, algumas com versões eletrônicas, destacando-se o semanário Correio da Cidadania, a revista Educação, a revista Língua Portuguesa e o portal Observatório da Imprensa.

Participa do conselho editorial da Editora Mandruvá, em parceria com várias universidades e instituições brasileiras e estrangeiras, responsabilizando-se diretamente pela Revista Videtur-Letras.

Em 2005 criou, com outros educadores, em São Paulo, o Núcleo Pensamento e Criatividade, em convênio com a Escuela de Pensamiento y Creatividad.

Obras:
Publicou em 1996 o livro Ler, Pensar e Escrever que está na quarta edição; em 2000, publicou O Leitor Criativo; Palavras e Origens: Considerações Etimológicas, em 2002; A Arte da Palavra, em 2002; O Professor do Futuro, também em 2002; Filosofia, Ética e Literatura, em 2003; A Arte de Ensinar, em 2004; Elogio da Leitura, em 2005.

Em 2006 lançou três livros: Crônicas Pedagógicas, A Leitura das Entrelinhas e Literatura e Educação. Em 2007, mais três livros: A Leitura Observada e outros Estudos, Os Sete Pecados Capitais e as Virtudes da Educação e Educação, Linguagem e Etimologia, em co-autoria com Jean Lauand e Luiz Costa Pereira Junior.

Em 2008, lançou Introdução à Filosofia da Educação. No início de 2009, publicou dois novos livros: Estética & Educação e O livre-educador. No primeiro semestre de 2010, a Editora Saraiva lançou a segunda edição (revisada e ampliada) do livro Palavras e Origens.

"A leitura nos afasta do aqui-agora, leva-nos para o além, o além-fronteira, o além-mar, o além-mundo. E é indo para tão longe daqui que o leitor caminha por dentro do livro, para fora do livro. Para dentro da vida."
(Os sete pecados capitais e as virtudes da educação, p. 107)

Avareza, ira, soberba e inveja, luxúria, preguiça e gula, estes são os pecados capitais que, no contexto da educação brasileira, explicam um quadro de problemas crônicos (analfabetismo funcional, repetência, evasão, violência etc.), para cuja solução é preciso descobrir, na sombra do pecado, as virtudes da educação.

Conjugando visão teórica e vivência docente, Gabriel Perissé utiliza a clássica referência dos pecados capitais para analisar a formação do professor e a realidade da sala de aula, explorando a necessidade da virtude, palavra que, no latim (virtus), remetia à força interior que nos faz superar os obstáculos externos e o perigo do desânimo.

O entusiasmo profissional, a fome de leitura, a generosidade, o otimismo, a capacidade de indignar-se contra a injustiça e outras virtudes compõem o perfil daqueles que podem lutar por uma escola melhor: professores, pais, políticos, formadores de opinião, líderes culturais, empresários etc.

Fontes:
http://www.vieiralent.com.br/sete.htm
http://www.perisse.com.br/livros.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabriel_Periss%C3%A9